sábado, 17 de maio de 2008

Aulinha de Pesquisa

Pessoal,

no meu meio lidamos muito com pesquisas. Formais, informais, entrevistas, conversas, por telefone, pessoalmente, assistindo coisas, lendo, ouvindo, tudo é pesquisa de todos os tipos. Então quero deixar registradas aqui algumas observações de uma aula que tive com uma especialista na área (infelizmente vou ter que cometer a gafe de não divulgar o nome dela, esqueci), numa aula de jornalismo e literatura, um tipo de jornalismo que defente a apuração minuciosa e o fim do mito da busca da "verdade", da "imparcialidade" e de tudo o que procure retirar a subjetividade do escritor de um texto. Esses conceitos de alta apuração são fortemente trabalhados através da escrita de perfis, reportagens grandes, textos "Gonzo" (um dia explico)...Bem, lá vai.

A PESQUISA SOCIAL QAULITATIVA acontece através da coleta de dados, pesquisa e apuração, indo a fundo nesta coleta através da descrição densa pelo objeto de estudo (geralmente uma pessoa), feita através do uso determinado de uma entrevista pelo pesquisador. O resultado final é a história de vida, uma visão de trajetória, totalidade. Já a entrevista não é apenas uma conversa, mas uma conversa com propósitos determinados, é uma interação aonde o apurador tem objetivos a atingir, ele estabelece uma conversa com intenção. Tudo é intensão. A posição do jornalista ou pesquisador pressupões sempre dar a máxima voz ao outro, mas ele pode fazer isso de várias formas, dando maior ou menor voz ao outro, dependendo da sua técnica, objetivos e personalidade. Deixo o outro aflorar ou vou dirigindo suas colocações para onde quero?

Não só o que o entrevistado diz, mas sua gesticulação, seus olhares, sua recepção, sua forma de sentar-se, de portar-se, de agir, se fuma, se cruza as pernas, tudo isso importa. Se o entrevistado está falando a verdade é o que menos importa. O que ele expressa, sim, é a mina de ouro do estudante. A subjetividade deste sujeito deve se revelar. Uma biografia como resultado é o fruto de uma história de vida de alguém, uno. Contudo, um perfil é um trabalho macro, que nos remete a um grupo, a uma manifestação coletiva, como o documentário de Jorge Furtado, "Esta não é a minha vida", que conta a história da Noeli para contar a história do Brasil e do brasileiro.

Neste tipo de trabalho a altura, o quanto pesa, que dia nasceu, quantos irmãos tem, onde mora, qual escola estuda, o que come, o nome inteiro, que ônibus pega, se tem namorada, qual sua rotina, tudo isso importa, detalhes e detalhes. O cuidado é para evitar a espetacularização do ordinário e do comum, o que acontece muito em grandes empresas de jornalismo.

Tudo muito básico, mas muito importante

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